Pensando nela
Ok quero pensar mais uma vez no meu trabalho de mestrado. como abranger toda a discussao que estou imerso nesse momento. loucura dizer que nao houve leitura e reflexao nesse meio tempo. preciso tambem pensar na metodologia, e isso me lembra do conselho do umberto eco: que devemos estudar os contemporaneos como se estudasse os classicos, e estudar os classicos como se estudasse um contemporaneo. me situando na discussao academica atual, eu estou em um curso de cultura contemporanea na ufmt, o unico do estado e é natural que eu queira participar da discussao atual. e talvez tenha sido esse o meu erro: achar que por isso eu estava preso apenas ao que pensam os contemporaneos e quais as discussoes contemporaneas - um erro que pode ser o motivo de eu estar a deriva a tanto tempo, naquilo que é o maior desafio criativo da kinha vida. Eu nao estou apenas indo contra a natureza, estou indo contra minha criacao e contra o mal que me fizeram as pessoas que me amavam. estou indo contra o vazio, e o vazio sempre vence. Para que ler autores se posso ler threads no twitter? porque ler se posso ouvir podcast? os autores contemporaneos e as tematicas contemporaneas nao podem se responder porque, primeiro, estao no calor do momento, e ninguem consegue ver alem do imediato de sua situacao porque a situacao em si os impede (podem haver excecoes, mas que so confirma a regra). segundo, porque por tras de toda discussao contemporanea ha um autor classico que ja a trouxe à baila e a discutiu entre os seu contemporaneos - pois todo classico ja foi um contemporaneo. E ai entra minha discussao: meu problema e contemporaneo ou classico? se for contemporaneo, posso encontrar nos classicos algo correlato? e se for classico (o que tendo a achar que seja), posso encontrar nos contemporaneos algo semelhante?
ISSO NAO AJUDA MUITO. preciso ir mais adentro na questao. mas nao sera facil. ainda segundo umberto eco, é perda de tempo querer mudar o mundo com sua dissertacao. é preciso ser humilde. e é até melhor, porque do jeito que as coisas estao, para mim, com a pressao que sofro por causa dessa suposta obrigacao, levar ela a cabo e poder ler o que eu gosto e me interessa sem culpa pode ser a melhor coisa - e fazer isso significa ser realista e fazer uma dissertacao factivel e pontual - objetividade sempre faz bem. Obejetivamente, no momento, no entanto, eu nao tenho nada em maos. justamente porque eu ainda nao defini meu objeto. como escrever sobre uma coisa que nao tem nome, nao tem cara, nao tem lugar e nao tem corpo? existem linhas gerais, e é só. anticapitalismo; altermundialismo; crise democratica; crise sanitaria; tecnologia e acesso a tecnologia. nisso eu penso que nao li o suficiente. a qualificacao é em um mes. eu nao li porque li, mas li na internet, em podcasdts, e como posso organziar as fontes se elas nao estao catalogadas e salvas em um documento para futura demonstracao? dizer apenas como se fosse uma coisa que sabemos e pronto? Independentemente disso, eu tenho que dar um jeito, e é já. como eu venho da filosofia, escrever em abstrato pode ser uma boa para mim, até porque eu nao tenho pesquisa de campo comigo; mas eu entrei no ecco porque eu vinha dageografia, e era a geografia quem eu queria honrar com minhas pesquisas - o curso que eu escolhi de facto quando a filosofia eu escolhi apenas para entrar logo na faculdade. Uma interesecao entre as duas areas, é mais que desejavel, com ampla pesquisa bibliografica e com muito texto conceitual, mas com a alma geografica de contextualizar pelo homem, por aquilo que o homem faz no mundo - a alma geografica capaz de revolucionar tudo, como disseram-me. a solidao tambem é importante - e eu to me sentindo bastante rancoso com as pesssoas ultimamente, como se prevesse que o bolsonaro vai ganhar. nada e garantido e nada e certo, e eu consigo me imaginar se mudando para o uruguai ou chile se isso aocntecer. apenas nao sei como porque nao e como eu faco as coisas. minha dissertacao pode ser algo nesse sentido, pois estuda o estado de coisas que nos trouxe ate aqui? o que nos espera? eu sofro de grande falta de confianca. isso a terapia pode estar me mostrando, mas nao é exatamente uma supresa. vai sem confianca mesmo. vai com medo mesmo.
cuiabá. seis de junho de 2022