Usar notebooklm foi a grande muleta que encontrei há mais de um ano e que amenizou, mas não curou, aquela coceirinha da vontade de leitura de TUDO que me acomete desde que nasci.

Muito se pode e será discutido acerca do significado de usar essa ferramenta, entre elas:

  • as implicações éticas de usa LLMs para analisar textos de terceitos
  • as implicações éticas de usar LLM de modo geral
  • as implicações cognitivas de estudar com um LLM de intermediário
  • as limitações inerentes do RAG, o coração do notebooklm

nenhum desses temas passa batido por mim, porém cada ponto precisa ser debatido com cuidado.

Algumas coisas, frutos da minha pesquisa, já se encontram aqui: A Dissociação Epistêmica e a Arquitetura da Alucinação e aqui: LLM é LLmitada

O que quero compartilhar aqui é meu uso de LLM para produzir resumos ou post-de-blog sintetizado (com tags #sintetico e #notebookLM .

O prompt que o notebooklm oferece é esse:

Atue como um redator perspicaz e sintetizador de ideias, com a missão de criar uma postagem de blog envolvente e de fácil leitura para uma plataforma de publicação online popular, conhecida por sua estética limpa e conteúdo perspicaz. Seu objetivo é destilar as principais conclusões mais surpreendentes, contra-intuitivas ou impactantes dos materiais de origem fornecidos em uma lista atraente. O estilo de escrita deve ser claro, acessível e altamente legível, empregando um tom conversacional, porém inteligente. Crie um título atraente e que gere cliques. Comece o artigo com uma breve introdução que prenda a atenção do leitor, estabelecendo um problema ou curiosidade com a qual ele se identifique. Em seguida, apresente cada um dos pontos principais como uma seção distinta com um subtítulo claro e em negrito. Dentro de cada seção, use parágrafos curtos para explicar o conceito com clareza e não se limite a resumir; ofereça uma breve análise ou reflexão sobre por que esse ponto é tão interessante ou importante e, se houver uma citação impactante nas fontes, destaque-a em um bloco de citação para enfatizar. Conclua a postagem com um resumo breve e voltado para o futuro, que deixe o leitor com uma pergunta final instigante ou uma lição importante para refletir.

Como podemos ver, ele nivela por baixo, focando em tornar o texto popular e simplificado.

Eu criei uma ferramenta que melhora não apenas o prompt do postar no blog, mas também o de guia de estudos e de resumo. Leve em consideração que foram criadas para uso pessoal, caso queira conhece-las: NotebookLM Prompt Studio

Eis o meu prompt, iterado muitas vezes com análises de meu próprio estilo de escrita (como podemos ver em analisando meu blog, o HBQ, com Claude, analisando meu blog, o HBQ, TP e análise profunda dos textos do blog HBQ):

Escreva um post de blog no registro **ensaístico e reflexivo** — não jornalístico, não de divulgação científica, não de content marketing.

O leitor presumido tem formação sólida e tolerância para densidade. Não simplifique para agradar; aprofunde para interessar.

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**TÍTULO**: Direto e preciso. Deve nomear o problema ou tensão central — não vender o texto. Evite títulos no formato "X: como Y mudou Z".

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**ABERTURA** (1–2 parágrafos): Comece com uma observação concreta, uma citação das fontes, ou um problema genuíno presente no material. Não abra com pergunta retórica ("Você já se perguntou…?") nem com afirmação de magnitude ("Este é um dos temas mais importantes…"). A abertura deve situar, não impressionar.

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**DESENVOLVIMENTO**: Para cada movimento argumentativo:
— Parágrafos contínuos; evite fragmentar em listas desnecessárias
— Distinga o que a fonte afirma do que é sua leitura como autor — marque explicitamente quando for interpretação
— Se houver tensão ou conflito entre fontes, exponha-o como dado, não como problema a resolver
— Citações em bloco: apenas verbatim, com atribuição — não parafraseie como se fosse citação direta

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**FECHAMENTO**: Breve. Reflexivo. Pode encerrar com uma questão genuinamente em aberto, uma tensão não resolvida, ou uma observação que desloca o que foi dito — não com síntese conclusiva nem com chamada à ação.

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**GUARDRAILS EPISTÊMICOS**:
• Toda afirmação factual deve ser rastreável a uma fonte específica do notebook.
• Marque interpretação: "Esta é minha leitura — não afirmação direta das fontes."
• Preserve divergências entre fontes; não as harmonize.
• Não extrapole além do que o material sustenta.
• Não fabrique dados bibliográficos não visíveis no notebook.

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**ESTILO — RESTRIÇÕES OBRIGATÓRIAS**:
• **Sem analogias decorativas.** Se uma analogia não está nas fontes e não é necessária para o argumento, suprima-a. Analogias que "illustram" sem acrescentar raciocínio são ruído.
• **Sem adjetivos inflacionados.** Proibido: fascinante, revolucionário, surpreendente, incrível, poderoso, notável, extraordinário. Se a ideia tem força, o argumento demonstra isso — não o adjetivo.
• **Sem hipérbole estrutural.** Não enquadre achados como "descobertas" ou "revelações". Apresente o que o material diz.
• **Sem frases de transição genéricas.** Evite: "Dito isso,", "Nesse contexto,", "Vale ressaltar que", "É importante destacar". Construa a transição no próprio argumento.
• **Tom neutro a seco.** Subregistrar é preferível a superregistrar. A reflexividade emerge do conteúdo, não de qualificativos entusiastas.
• **Voz e atribuição — CRÍTICO.** Se as fontes estão escritas em primeira pessoa, essa é a voz do autor das fontes — não a sua. Escreva o post em terceira pessoa ou em voz ensaística impessoal. Refira-se ao autor das fontes como "o autor" ou pelo nome, quando disponível. Nunca use "eu", "minha experiência" ou "acredito" como se fossem seus — isso é uma inversão de autoria.

**FOCO ESPECÍFICO**: Como falar sobre processos de morte, suicídio entre eles, deveria parar de ser tabu.

Notebooklm é uma ferramenta que, supostamente, usa IA de modo certo. Foi desenhada como recurso didático irrecusável, mas de forma alguma, em nenhuma hipótese, substituirá a leitura cuidadosa do livro, do capítulo ou da seção do livro em questão. Em aberto fica ainda a preocupação com o futuro da educação, e se os filhos dos bilionários que criaram essas ferramentas colocariam seus filhos em escolas sem professores, para estudar apenas por IA. Minha intuição mais profunda diz que não.