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- 07-05-2025
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A Relação de Ajuda no contexto do CVV. As fontes fornecem um detalhamento profundo sobre este conceito central para o trabalho voluntário da instituição.
O que é a Relação de Ajuda no CVV
A Relação de Ajuda no CVV é descrita como um “jeito de ser”, e não apenas uma técnica. É um trabalho humanitário que está em contínuo processo de transformação, baseado na vivência e na interação com as pessoas que buscam o serviço e na colaboração dos voluntários.
Inicialmente, na década de 60, o CVV buscava interferir e impor soluções na vida das pessoas que procuravam ajuda. No entanto, evoluiu através de diferentes fases históricas. A partir da Quarta Fase (1975), o foco se tornou “A pessoa como Centro”, e na Quinta Fase (1979), o método não diretivo passou a ser um “Jeito natural de Ser”. Essa transformação foi influenciada, em parte, pelo estudo do livro “Tornar-se Pessoa” de Carl Rogers.
Atualmente, a Relação de Ajuda no CVV se baseia em oferecer apoio de uma pessoa para outra em um momento de crise ou solidão, propondo-se, e não se impondo. A principal atitude é a disposição de tratar quem procura o serviço com respeito, compreensão, aceitação, confiando em sua capacidade e potencialidade individual, sem críticas ou conselhos.
É importante notar que a Relação de Ajuda no CVV não é aconselhamento, nem substituto para psicoterapia, tratamento de saúde ou ajuda especializada. Não utiliza técnicas de persuasão, crenças ou doutrinas religiosas, nem interfere na vida da pessoa ou age em seu benefício sem seu consentimento. O voluntário que compreende e aceita a proposta do CVV passa a vivenciar os fundamentos práticos dessa relação como uma filosofia de vida, aplicável em qualquer ambiente, e não apenas nos canais institucionais de ajuda. Trata-se de um encontro de pessoa para pessoa.
Fundamentos Práticos da Relação de Ajuda
Alguns fundamentos práticos essenciais para a Relação de Ajuda incluem:
- Ouvir ativamente: Não é uma atitude passiva; é ativa e participativa. Envolve ouvir atenciosa e profundamente para se aproximar da Outra Pessoa e perceber seu mundo interno, respondendo de forma transparente e próxima. Exige interesse genuíno e atenção respeitosa. Quando alguém se sente ouvido com atenção, mesmo que por pouco tempo, suas ideias se organizam, ficam mais claras, o potencial criativo se manifesta e novas possibilidades tornam-se visíveis. Ouvir é essencial para a compreensão.
- Observar a si próprio: É crucial estar atento ao que vem de nós mesmos – humor, indisposição, cansaço, preconceitos, tom de voz ou gestos agressivos – que podem dificultar a relação. É preciso vigiar para que nosso comportamento não afaste o outro.
- Observar o que é dito e o que não é dito: Isso inclui os silêncios, o tom e a altura da voz, a postura, a mímica (sorriso, choro), e na escrita, o ritmo e os símbolos.
- Observar as incoerências: Elas geralmente revelam dificuldades de comunicação. Paciência e calma ajudam a dar tempo ao outro para adquirir confiança.
- Respeitar os silêncios: Sempre respeitar os silêncios, sem analisar ou interpretar. Reconhecer a diferença entre silêncio fecundo (tempo para reflexão, organização de ideias) e silêncio estéril (falta de coragem para se abrir). O silêncio fecundo pede respeito ao tempo do outro.
- Compreender: As atitudes das pessoas sempre têm uma causa, mesmo que não sejam claras ou conscientes. É necessário olhar além das causas aparentes, evitando conceitos apressados sobre a Outra Pessoa.
- Comunicar o que ouvimos e compreendemos: De nada adianta ouvir e compreender se isso não for comunicado. É importante que a Outra Pessoa perceba que está sendo compreendida, aceita, respeitada e que se confia em sua capacidade. Isso pode ser expresso através do tom de voz (telefone/virtual), acolhimento físico (pessoalmente), prontidão e teor da mensagem (chat/email/carta).
Medidas Objetivas e Lembretes Úteis
Algumas medidas e lembretes práticos complementam a Relação de Ajuda:
- O local: O ambiente deve ser acolhedor e seguro, com total privacidade para todos os canais de atendimento.
- Sigilo e confidencialidade: O compromisso com o sigilo é uma norma de conduta fundamental para o voluntário, antes, durante e após sua permanência no serviço. Tudo o que possa identificar a pessoa é confidencial, restrito ao voluntário e, excepcionalmente, à coordenação em casos de risco aos princípios ou segurança. Situações temáticas são usadas em treinamentos, mas detalhes identificadores são suprimidos. A pessoa não deve se tornar “nosso assunto”.
- Seja você mesmo: A sinceridade e a preocupação genuína do voluntário são mais importantes do que encontrar as palavras certas.
- Aprenda a acolher bem: Um acolhimento atencioso é um bom início.
- Relacione-se com a pessoa, não apenas com o problema: Tente estabelecer uma relação que possa dar apoio e força à pessoa. Demonstre disponibilidade, aproxime-se com sensibilidade, valorize e aceite-a sem restrições.
- Esteja no nível do outro: A atitude de aceitação incondicional, sem críticas e com respeito, é essencial para ajudar a restaurar a dignidade, a confiança e a autoestima.
- Olhe a capacidade: Concentre-se na capacidade da pessoa de cuidar de si mesma, não apenas em sua fraqueza ou doença.
- Dê sua atenção total: Esteja atento à vivência emocional da pessoa, ao que não é dito, e permita o silêncio fecundo.
- Facilite o desabafo: Mostre atenção e interesse, utilizando frases de incentivo para que a pessoa prossiga.
- Vá em direção ao sofrimento: Dê à pessoa a chance de expressar todos os seus sentimentos, incluindo os mais íntimos.
- Tente ver as coisas pelo ponto de vista do outro: Esteja do lado da pessoa, mesmo que suas razões pareçam irracionais.
- Deixe as respostas virem do outro: Evite apresentar soluções apressadas, permitindo que a pessoa descubra as coisas por si mesma.
- Responda às perguntas com honestidade e sensibilidade: Acolha as perguntas e volte o foco da conversa para a pessoa.
Atitudes a serem evitadas na Relação de Ajuda
Há uma série de atitudes que devem ser evitadas:
- Refletir desinteresse pelo que o Outro diz.
- Subestimar ou desvalorizar as preocupações do Outro.
- Apresentar opiniões ou elaborar julgamentos.
- Proteger ou agir de forma paternalista.
- Comentar sobre o Outro que recebe ajuda com outras pessoas.
- Encontrar a Outra Pessoa fora do ambiente de atendimento CVV sem aprovação da coordenação.
- Discutir com o Outro seus próprios problemas.
- Dar informações para a polícia ou imprensa.
- Dar ou emprestar dinheiro, oferecer comida ou lugar para ficar.
- Apressar a Outra Pessoa ou se revelar impaciente.
- Tornar-se ausente na Relação de Ajuda.
Esses pontos em conjunto definem a abordagem humanitária do CVV, centrada na pessoa e no acolhimento incondicional, como base fundamental para a prevenção do suicídio e o apoio emocional.
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Conheci um novo músico brasileiro hoje, Vander Lee: https://pt.wikipedia.org/wiki/Vander_Lee
ele morreu de infarto aos 20 anos. (eufemismo para morte: fez sua páscoa).
Uma música dele foi usada para começar a discussão. https://www.youtube.com/watch?v=qVA2GUPtrrI&pp=ygUjdmFuZGVyIGxlZSBvbmRlIGRldXMgcG9zc2EgbWUgb3V2aXI%3D
crítica à positividade tóxica.
- Psicologia de Carl Rogers
- diferença entre a filosofia de Carl Rogers e a desenvolvida pelo CVV
- Neury Botega - Psiquiatra especialista em suicídio e o acrônimo ROC
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[!info] importante: atitudes a serem evitadas
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Interesse genuíno - atenção respeitosa…
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#Autoconhecimento
para que mencionar para os outros que estou no CVV? (não colocar em currículo)
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