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CVV - 2025 dia seis - CVV dia cinco - CVV

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Um dos treinantes é contra aborto e atendeu uma simulação de pessoa que quer abortar - e depois disse que não é direito da mulher decidir a vida do bebê.


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O Estágio 4 do Manual Voluntário do CVV aborda os Abalos Situacionais, especialmente aqueles relacionados a perdas, e como o voluntário deve se relacionar com diferentes faixas etárias que buscam o serviço.

1 - Abalos Situacionais: Perdas

A principal categoria de abalos situacionais são as perdas, que podem ser classificadas de diversas formas.

  • Quanto ao que foi perdido:

    • Pessoas: Para familiares e amigos.
    • Animais: Para crianças.
    • Recursos de apoio: Proventos (renda), trabalho (demissão/aposentadoria), saúde, status, juventude, amputações, lar, ilusões e fantasias, beleza, casa, rotina (promoção, casamento, fortuna).
    • Materiais ou concretas: Pessoas, bens, status, saúde, independência.
    • Espirituais ou interiores: Crenças, fé, confiança, sonhos, otimismo.
  • Quanto ao que causa a perda:

    • Eventos de vida: Morte, doença (física/mental), separação, casamento, trabalho, suicídio, serviço militar, mudança de cidade, estado, país, escola, faculdade, casa, trabalho, status.
    • Situações de transição: Saída de casa para estudo, formatura (perda de colegas e ambiente).
    • Relacionamentos: Desavenças, conflitos, divergências de valores e ideais no relacionamento intrapessoal e interpessoal.

As consequências e a maneira de reagir à perda são próprias de cada pessoa, e a perda pode levar a mudanças de funções na vida. É comum que o sofrimento esteja atrelado à sensação de ter perdido uma parte de si, muitas vezes confundindo o “ter” com o “ser”. Estigmas também podem ser associados às perdas, gerando sentimentos de revolta ou não aceitação.

  • Principais fatores que determinam a reação à perda:

    • Tipo de relacionamento com o que foi perdido: Reações podem ser complicadas em casos de dependência ou culpa.
    • Busca de defesas contra o sofrimento: Autocontrole rígido pode levar a sofrimento posterior.
    • Tipo de reação diante da perda: Isolamento aumenta o risco, assim como a proteção excessiva por parte de outros.
  • Sentimentos decorrentes da perda:

    • Para evitar a perda: Medo, aversão, ansiedade.
    • Para reparar a perda: Raiva, inveja.
    • Incapacidade de obter prazer e alegria: Tristeza, culpa, saudade, vergonha.
    • Ausência de perspectivas: Solidão, angústia, inferioridade, desespero.
    • Transitórios (ameaça de perda): Prazer e alegria, presunção, euforia, posse, grandeza, audácia, orgulho, ansiedade, ciúme, vaidade, medo.
    • Sentimentos de abertura (postura confiante): Interesse, afeição, prazer, alegria, amor.

2 - Crianças

Embora raras, as chamadas de crianças geralmente se referem a problemas no ambiente doméstico, percebidos como perda de amor dos pais ou segurança. Assim como os idosos, os problemas das crianças são frequentemente subestimados pelos outros, e mesmo a perda de animais de estimação pode gerar sofrimento intenso. O voluntário deve falar de forma natural com as crianças e confiar na sua capacidade de lidar com as situações.

3 - Adolescentes

Adolescentes frequentemente mascaram seus sofrimentos com risadas devido à timidez para comunicar sentimentos. Os problemas comuns incluem:

  • Sensação de que os pais não os entendem.
  • Medo de contar aos pais sobre faltas escolares.
  • Brigadas familiares constantes ou separação iminente dos pais.
  • Pressão parental para o sucesso, gerando medo de falhar ou magoar os pais.

O mundo adolescente é complexo, misturando problemas “adultos” com “infantis”, e tudo deve ser levado a sério pelo voluntário, pois uma simples briga pode ocultar um problema maior. É crucial oferecer máxima confidencialidade para que o adolescente se sinta seguro para expor seus sentimentos e encontrar suas próprias soluções.

4 - Pessoas Idosas

O índice de suicídio entre idosos é elevado. As principais motivações para procurarem o CVV incluem:

  • Perda de saúde: Limitações causadas por doenças.
  • Perda de pessoas: Solidão.
  • Perda de outros recursos de apoio: Trabalho, aposentadoria, proventos.
  • Perda de autonomia: Agressividade, violência doméstica, exploração financeira/material.

A comunicação com idosos pode ser prejudicada por perda de audição, dicção lenta, confusão ou perda de memória. A solidão é comum, especialmente em instituições para idosos, e é piorada quando o indivíduo já tem uma personalidade difícil e não se relaciona bem com os outros residentes.


O Estágio 5 do manual do CVV concentra-se na temática da sexualidade, um campo complexo e frequentemente associado a altos índices de sofrimento e suicídio, e como o voluntário deve abordá-lo de forma ética e compreensiva.

1. Ajuda com Temática Sexual

A sexualidade é um grande tabu social e se manifesta de diversas formas. Para uma compreensão mais ampla, é importante diferenciar os seguintes conceitos:

  • Sexo: Refere-se à parte biológica do indivíduo (macho, fêmea ou intersexo), definida por cromossomos e características como órgãos reprodutivos internos e externos.
  • Gênero: São as categorias socialmente construídas de masculino e feminino, que englobam práticas arbitrariamente atribuídas às pessoas com base em seu sexo biológico. Cada cultura incentiva certos comportamentos, vestuários, profissões e valores de acordo com o gênero atribuído.
  • Identidade de Gênero: Relaciona-se com qual gênero a pessoa se identifica. Alguém biologicamente do sexo masculino pode se identificar com o gênero masculino ou feminino, ou ambos. Transgêneros são pessoas cuja identidade e expressão de gênero diferem do seu sexo biológico. Se a identidade e expressão são coerentes com o gênero atribuído, a pessoa é cisgênero.
  • Orientação Sexual: Descreve por qual pessoa se sente atração afetiva ou sexual, podendo ser heterossexual, homossexual ou bissexual. É vista como um contínuo e não necessariamente fixa, podendo variar.

As características da sexualidade são determinadas por múltiplos fatores, incluindo herança genética, funcionamento hormonal, experiências de socialização, cultura e experiências de vida. A sociedade frequentemente incentiva algumas orientações e identidades enquanto discrimina outras, levando a preconceitos e rótulos que podem gerar frustração, sofrimento e, em casos extremos, suicídio. Homossexuais e pessoas com identidade de gênero destoante são alvos de discriminação e violência, resultando em medo, revolta, dor, isolamento, agressividade, dependências e outros problemas.

2. Assexualidade

  • Definição: É a falta de atração sexual. Pessoas assexuais não sentem vontade de ter relações sexuais com ninguém, embora possam ter desejo sexual e se autoestimular. A diferença é que esse desejo não se traduz em vontade de satisfazer a atração com outra pessoa.
  • Alguns assexuais não têm interesse sexual nem afetivo, enquanto outros não têm interesse sexual, mas desejam relacionamentos afetivos.
  • Não é o mesmo que ter medo de sexo ou ser celibatário. Assexuais geralmente não fazem sexo por falta de desejo, não por medo ou crenças.
  • Difere de transtornos de excitação ou desejo sexual, nos quais a pessoa sofre com a redução do interesse.
  • As causas da assexualidade não são totalmente conhecidas, podendo envolver fatores genéticos e ambientais.
  • Ser assexual não é sinônimo de sofrimento ou trauma. No entanto, em uma sociedade que valoriza o sexo, pode ser desafiador, levando a negação, desajustes, dúvidas e inaceitação de si, que são fatores de risco para o suicídio.

3. Sexualidade e Sexo

A sexualidade humana é complexa e diversa. O voluntário deve ter um olhar sensível e compreensivo, com clareza dos conceitos para conversar respeitosamente. Há um altíssimo índice de suicídio ligado a temas como prostituição, orientação sexual (homossexuais), travestis, conflitos de gênero, dependências sexuais, abusos/violência sexual, estupro, aborto, doenças sexualmente transmissíveis, entre outros.

É difícil iniciar conversas sobre temas tão íntimos e censurados, especialmente quando a própria pessoa luta contra sua autoaceitação. Desaprovação ou condenação não ajudam e bloqueiam a livre expressão e o desabafo. A imposição da heterossexualidade como padrão socialmente aceito está gradualmente dando espaço à liberdade de expressão e orientação sexual, incluindo a legalidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adoção. Contudo, a sexualidade continua sendo um território complexo e tabu, com a luta para derrubar estereótipos. Historicamente, o que era crime ou doença pode hoje ser visto como natural, e vice-versa.

A homossexualidade pode ser ego-sintônica (a pessoa se aceita e não tem problemas com sua sexualidade) ou egodistônica (a pessoa se sente desconfortável e não se aceita, sendo considerada um transtorno sexual no campo da psiquiatria e psicologia).

4. Conceitos a Observar

  • Parafilias: Caracterizadas por anseios, fantasias ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos que envolvem objetos, atividades ou situações incomuns, causando sofrimento ou prejuízo significativo.
  • Transtornos da Identidade de Gênero: Forte identificação sexual com o gênero oposto, acompanhada de desconforto persistente com o próprio sexo atribuído.

Pessoas com desvios sexuais são frequentemente solitárias, por não se sentirem aceitas ou compreendidas, e por vezes, por não conseguirem aceitar a si mesmas. O voluntário deve acolher a pessoa em seu sofrimento e necessidade de apoio emocional, independentemente da temática sexual, orientação ou preferências, buscando baixar as defesas da pessoa para um encontro genuíno.

5. Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes

É uma violação dos direitos sexuais e pode ocorrer de duas formas:

  • Abuso Sexual: Utilização do corpo de uma criança ou adolescente por um adulto ou adolescente para a prática de qualquer ato de natureza sexual.
  • Exploração Sexual: Utilização sexual de crianças e adolescentes com a intenção de lucro ou troca (financeira ou de qualquer outra espécie). Sentimentos de culpa, de se sentir sujo ou merecedor são comuns e a superação pode levar anos. Vítima, família e abusador devem ser tratados com acompanhamento psicológico.

6. Recomendações: Ajuda com a Temática Sexual no CVV

  • Focar na pessoa e não no problema estabelece uma conversa de profundo conteúdo emocional, distanciando-se de agressividade ou obscenidade.
  • É crucial aceitar a obscenidade ou a pessoa obscena sem concordar com o comportamento, respeitando os limites e objetivos do CVV.
  • Tentativa de Escatologia Telefônica ou Cibersexo: O CVV respeita a existência dessas situações, mas finaliza o contato, pois não presta serviço de sexo nem promove espaços para essas práticas.

O manual apresenta uma tabela detalhada de diversos temas da sexualidade (transtornos, disfunções, crimes, dependências) que podem surgir, reforçando que o diálogo de ajuda visa o encontro de pessoa com pessoa, com foco na pessoa, e não no indivíduo ou seus problemas, respeitando a integralidade da pessoa.

7. Escatologia Telefônica e Cibersexo

  • Escatologia Telefônica: Consiste na excitação e sexo por telefone com um parceiro desavisado e sem consentimento. A pessoa busca coagir sexualmente o outro, muitas vezes com masturbação explícita ou implícita. É uma parafilia e pode evoluir para outras dependências como o Cibersexo.
  • Cibersexo: Uso de redes interativas (chat, webcam, e-mail, sites) para enviar mensagens obscenas, pornografia ou trocar imagens sexualmente explícitas, em tempo real ou não. Permite anonimato e desempenho de papéis diferentes (sexo oposto, fantasias de travestismo, perfis falsos). O submundo da internet profunda contém todo tipo de violência e crimes, como pedofilia, exploração sexual infantil, abusos, violação de privacidade.

8. Contatos Obscenos e Eróticos

  • Por Hábito: Uso de linguagem chula sem intenção de agredir. O voluntário deve sinalizar seus limites de forma amorosa e respeitosa, sem repreensão.
  • Por Agressão: Linguagem obscena usada para agredir o voluntário. O voluntário deve manter a compostura e oferecer a Relação de Ajuda. Se a pessoa insistir no desvio dos objetivos, sinalizar os limites do serviço e, se necessário, finalizar o contato com firmeza e calma.
  • Eróticos (Exibicionistas/Sedutores): Pessoas que buscam relatar experiências sexuais ou tentar envolver o voluntário. A diretriz é comunicar respeitosamente os objetivos do serviço do CVV e finalizar o contato.

9. Diretrizes Detalhadas para a Temática Sexual

O CVV não presta serviço de sexo nem promove espaços que conduzam à Escatologia Telefônica ou Cibersexo. Identificada essa intencionalidade, o contato é finalizado. Isso é um dever e compromisso do voluntário para com a instituição, o grupo, os que precisam do serviço de pronto-socorro emocional e a sociedade. A diretriz é comunicar que se percebe e respeita a necessidade da pessoa, mas que o serviço não está disponível, e finalizar o contato com brevidade, firmeza e compostura.

Mesmo com a ampla gama de temas sexuais que podem surgir (identidade de gênero, orientação sexual, dependências, abusos, gravidez indesejada, etc.), a postura do CVV é a mesma adotada para todas as demais temáticas, tendo o “semáforo” (referente às respostas compreensivas e defensivas) como suporte.

São apresentados passos para a melhor qualidade na ajuda com a temática sexual:

  1. Autoconhecimento do voluntário: Conhecer a própria libido, formas de excitação, vivência da sexualidade, preconceitos e traumas é o primeiro passo para se aproximar do outro e oferecer a Relação de Ajuda.
  2. Reconhecer e respeitar os limites da ajuda e do serviço.
  3. Aceitar a existência de pessoas que vivenciam a preferência sexual de maneira desordenada e compulsiva por canais como o do CVV.
  4. Aceitar as pesquisas e estudos sobre parafilias, disfunções e transtornos sexuais, especialmente Escatologia Telefônica e Cibersexo, cujo prazer reside em envolver o outro sem consentimento, na dúvida ou confusão da “vítima” (o voluntário).
  5. Reconhecer e respeitar os próprios limites e os do CVV. Concordar com o uso indevido do canal é desserviço. A diretriz é clara: se o que o outro busca está no contexto de Escatologia Telefônica ou Cibersexo, deve-se esclarecer, respeitar a necessidade e finalizar o contato.
  6. Quando uma pessoa que sofre de Escatologia Telefônica ou Cibersexo procura o CVV sóbria e focada em seu sofrimento (perdas, danos, isolamento, dificuldades de relacionamento), o apoio é dado sobre esses aspectos, sem entrar no detalhe prático do ato em si. A analogia é com a pessoa alcoolista ou dependente de drogas que busca o CVV em estado de sobriedade para falar do vício e danos.
  7. Exercitar o discernimento dos propósitos da Relação de Ajuda e dos objetivos do serviço, com coragem para modificar a si mesmo, aceitação para o que não pode ser modificado no outro, e sabedoria para manter a sintonia com o trabalho.
  8. Contar com o grupo, suporte de mais experientes, exercícios de vida plena e treinamento de papéis.
  9. Clarificar o conceito: Ajuda com temática sexual no CVV se alinha ao pronto-socorro emocional e prevenção do suicídio, oferecendo apoio emocional à pessoa em sofrimento. Não tem a ver com sexo por telefone, computador ou qualquer outro meio, nem com escutar detalhes e narrativas sobre o ato sexual.
  10. Permitir que o outro narre e relate o ato e suas fantasias com ou sem envolvimento emocional ou sexual em um canal do CVV é desserviço.
  11. Qualquer pessoa é livre para fantasiar, participar ou praticar sexo de modo não criminoso, mas isso requer consentimento do outro, ser maior de idade e usar outros espaços e serviços destinados a essa finalidade, nos quais o CVV não se enquadra.
  12. O autoconhecimento e a moderação ajudam mais do que a desonestidade intelectual, o moralismo, a rigidez e o radicalismo, reconhecendo que ninguém está imune aos desafios da sexualidade saudável.
  13. O voluntário e sua autopercepção: É fundamental a honestidade intelectual para observar as próprias necessidades e reações (curiosidade, nojo, incômodo, excitação, raiva, piedade) diante de Escatologia Telefônica ou Cibersexo. Identificar e aceitar esses sentimentos é diferente de nutri-los. Dar margem para que a situação evolua com consentimento consciente é desserviço e má conduta.
  14. A introspecção (“Mexe comigo?”, “Desperta curiosidade?”, “Enoja?”, “Aciona meu lado moralista/libidinoso?”) é crucial para que o voluntário reconheça seus próprios preconceitos e mantenha o foco do serviço do CVV.

Se o contato da pessoa se trata de narrativas, partilhas, obscenidades, agressividades, ou busca de sexo com ou sem consentimento, o CVV finaliza o contato para abrir o canal para pessoas que estejam necessitando efetivamente de seus serviços.