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Em uma oportunidade única de ficar sem o celular por alguns dias eu pude descobrir como posso ler muito. De fato, em alguns dias eu li o que não havia lido o ano todo. As notas a seguir se relacionam a estes dias sem celular, com muita tranquilidade para ler o que eu bem quisesse.

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Durante o retiro de meditação, as leituras paralelas que realizei se entrelaçaram profundamente com meus insights e experiências. O livro “Satipatthana: The Direct Path to Realization” de Analayo, por exemplo, reforçou a importância da atenção plena e da contemplação. A ideia de contemplar o corpo, sentimentos, mente e dhammas, aliada às qualidades mentais de diligência, conhecimento claro, mindfulness e libertação de desejos e descontentamento, ressoou com meu processo de aceitação da realidade e reconhecimento da impermanência.

A ênfase de Analayo na contemplação de sentimentos em suas naturezas mundanas e não mundanas ecoou em minha reflexão sobre a diversidade de experiências humanas e a importância da autocompaixão. Isso me levou a uma compreensão mais profunda da natureza transitória dos sentimentos, ajudando-me a cultivar uma consciência mais equilibrada e menos reativa.

Além disso, a progressão das contemplações de satipaṭṭhāna, do mais grosseiro ao mais sutil, e o foco na experiência do Nibbāna, ressaltaram a minha jornada de crescimento pessoal e transformação. A prática de sati, essencial para a meditação, pareceu alinhar-se com minha busca pela verdade, reconhecimento da própria humanidade e apreciação do momento presente.

Por outro lado, a “Trilogia de Copenhagen” de Tove Ditlevsen, com sua representação vívida e literária da vida cotidiana, contrastou com as leituras técnicas, oferecendo uma perspectiva mais terrena e imersiva. A narrativa, que retrata a esperteza e o atrevimento femininos em meio a um ambiente de desemprego e expectativas sociais, refletiu minha apreciação pela diversidade de experiências humanas e a importância do humor e da autenticidade. A frase sobre “dois punhos criados para a ação” ecoou em meus pensamentos sobre a importância da ação consciente e da vida ativa, apesar da inevitável impermanência de todas as coisas.

Essas leituras, entrelaçadas com minha experiência de retiro, reforçaram a ideia de que a meditação e a leitura são práticas complementares. Ambas oferecem caminhos para aprofundar o entendimento de si mesmo e do mundo, promovendo uma transformação pessoal e uma maior apreciação pela complexidade da experiência humana.


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